Se você é usuário de Facebook, já deve ter notado há algum tempo a invasão de solicitações do mais novo vício em forma de joguinho, o The Sims Social. A premissa dele é bem simples – clicar em coisas, gastar energia, esperar um tempo (ou gastar dinheiro) para clicar em mais coisas – porém, com o apelo de uma marca muito popular e a possibilidade de interações “pessoais” com avatares de seus amigos, conseguiu uma grande quantidade de jogadores em pouco tempo. Segundo a AppData, uma empresa que monitora o ranking de aplicativos do Facebook, o The Sims Social já conta com mais de 27 milhões de usuários, sendo que 7.5 milhões desses acessam o aplicativo todos os dias (para efeitos de comparação, o Cityville da Zynga conta com 13 milhões de usuários diários). E isso em menos de um mês!
O jogo está longe de ser perfeito: existem vários bugs que atrapalham e muito a jogabilidade. Por exemplo, na hora de enviar uma solicitação para seus amigos (uma das mecânicas mais comuns dos jogos no Facebook), não é possível filtrar por amigos que também jogam ou salvar uma lista dos amigos mais frequentes. Pra mim, que tenho pouco mais de 200 amigos no Facebook já fica complicado escanear a lista e lembrar de quem joga, imagino pra quem tem 500 ou mais amigos.
Existem outros problemas, como a dificuldade de posicionar e visualizar os itens dentro da sua casa (e quantas vezes eu já não perdi horas no The Sims apenas montando as casinhas…) e a demora na resposta dos envios de requests e presentes, mas mesmo assim, eu e outras 7.5 milhões de pessoas continuamos a jogá-lo diariamente. Qual será o segredo desses “jogos sociais”? E será que eles são sociais de verdade?
Ouvindo de quem sabe: Zynga
Durante a Game Developers Conference (o principal evento da Indústria de Games, que acontece todos os anos em São Francisco) de 2011, Chris Tottier, o Principal Game Designer da Zynga, deu uma palestra com um título bem interessante: Designing Games for the “43 year old woman”. Na apresentação, ele oferece informações sobre os “gamers casuais” ou “gamers acidentais” e explica o raciocínio por trás das mecânicas mais usadas nesse tipo de jogo – tanto os da própria Zynga quanto seus concorrentes.
Ok, A Zynga pode não ser a empresa mais simpática da cidade, mas uma coisa é certa: seus jogos ocupam a lista de mais jogados do Facebook há algum tempo, e a apresentação é bem construída para apresentar o usuário que engrossa esses números e as decisões tomadas para agradá-lo.
Socialmente falando…
Existem muitas críticas feitas a esse modelo de jogo que a Zynga ajudou a popularizar. Algumas delas podem ser descartadas como “umbiguismo” (“Não é um jogo porque não me agrada, e eu sou um gamer hardcore“) – algo bem semelhante ao que já tratei nesse blog, sobre a rixa casual x hardcore gamers. Mas um número bem grande de game designers e estudiosos da área levantam alguns pontos bem válidos sobre o “Social” de games como o The Sims Social, Farmville, Cityville e derivados.
Amanda Lange, uma professora do IADT de Chicago, analisou o Cityville e contrapôs algumas observações feitas na apresentação aí de cima. Embora o jogo utilize as conexões sociais do Facebook para completar tarefas, no fundo a pressão para convidar e incomodar os amigos e o “busywork” – o clique clique clique infinito – nada mais são do que estratégias do jogo para manter o jogador na ilusão de que objetivos estão sendo alcançados, quando na verdade ele serve de célula para propagação e aumento do número de jogadores.
Ian Bogost, o conhecido jornalista e pesquisador de games, foi além e resolveu demonstrar a “inutilidade” dos games sociais através de um game social: o Cow Clicker já conta até com expansão.
Quanto a mim, provavelmente continuarei jogando o The Sims Social por mais algum tempo, mas já percebi que o meu vício não terá uma vida longa. Logo logo a tarefa de cuidar da casinha, visitar os amigos e clicar, clicar, clicar se tornará monótona demais para trazer alguma satisfação. Agora, se lançarem um RollerCoaster Tycoon Social… :)

