Para entender Modelos Mentais

Com tantos meses de blog, percebi que não abordei o assunto mais óbvio de todos: modelos mentais. Apesar de ser o título desse site, nunca foi alvo de um post. Para tentar me redimir dessa falta imperdoável, apresento não uma, mas duas formas de explicar o que é um modelo mental.

A primeira é a seção com esse mesmo título extraída do meu TCC na UFRJ. E a segunda é uma apresentação fantástica – tanto em forma quanto em conteúdo – que, além de conceituar, também mostra aplicações desse conceito no “mundo real”. Então, por que dois conteúdos diferentes? Bem, o pedaço de TCC está em português e é super conciso; a apresentação está em inglês e precisa de flash. Escolha o tipo de conteúdo que melhor se adequa a sua forma de consumo and be happy!

charge sobre modelos mentais

Modelos Mentais: cada um tem o seu.

Modelo Mental: uma definição “rápida e rasteira”

[Seção extraída e adaptada do meu trabalho de graduação "Princípios do Design de Interfaces aplicados à Busca"]

O conceito de modelo mental surgiu em 1943, no livro “A Natureza da Explicação” de K. J. W. Craik, nos primórdios dos estudos da Ciência Cognitiva, mas foi apenas nos anos 80 que ele passou a ser discutido e aplicado no campo da interação humano-computador. Mesmo sendo um campo relativamente novo, devido ao aumento exponencial do uso de tecnologia, os estudos de IHC têm sido usados para auxiliar no entendimento de um mundo cada vez mais complexo.

Existem muitas definições para o que seja modelo mental. Susan Carey tem uma definição muito popular e direta (tradução minha):

“Representa o processo de pensamento de uma pessoa para como algo funciona (ou seja, o entendimento do mundo ao redor). Modelos mentais são baseados em fatos incompletos, experiências passadas e até mesmo percepções intuitivas. Eles ajudam a moldar ações e comportamentos, influenciam o que será considerado mais relevante em situações complexas e definem como indivíduos confrontam e resolvem problemas.”

Don Norman restringe a definição para o nosso campo e os conceitua como um conjunto de crenças sobre como um sistema funciona, e diz que humanos interagem com sistemas baseados nessas crenças.

Essas duas definições demonstram que compreender os modelos mentais é essencial para a aplicação da usabilidade, pois quanto mais a interface corresponder ao modelo mental de seu usuário, mais intuitiva e fácil de usar ela será. Ou seja: a interface deve se adaptar ao modelo mental do usuário, e não o contrário.

Entenda Modelos Mentais em 31 slides

Para aprender mais:

 

E você? Já usou o conceito de Modelo Mental pra convencer alguém sobre uma decisão de design?

5 ideias sobre “Para entender Modelos Mentais

  1. Ana

    Muito Bom adorei !! O slid realmente é MUITO perfeito, mas agora fiquei em dúvida:

    Se modelos mentais são pensamentos enraizados etc, os nossos famosos pré – conceitos, então é a mesma coisa que percepção ?

    Sei que esse post já faz tempo mas tomara que você me responda ! =)

    Responder
    1. Anna Raquel Autor do post

      Oi Ana!

      Mais ou menos. Podemos dizer que construímos nossos modelos mentais baseados na nossa percepção (e na nossa imaginação e compreensão), mas eu não igualaria os dois conceitos, diria mais que um alimenta o outro: nossas percepções ajudam a construir os modelos mentais, e esses modelos mentais (ou pré-conceitos) acabam influenciando nossa percepção. Vou dar um exemplo bobo: se eu construí um modelo mental de que links azuis sublinhados me levarão para outras páginas, eu vou percebê-los mais facilmente do que links cinzas não sublinhados.
      Espero que tenha resolvido sua dúvida!

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  2. Pingback: Modelo Mental? | Fator Interativo

  3. André

    Em todos os lugares onde procuro a definição para modelos mentais tem o mesmo trecho (Ex.:http://uxmag.com/articles/the-secret-to-designing-an-intuitive-user-experience) :
    “Representa o processo de pensamento de uma pessoa para como algo funiona (ou seja, o entendimento do mundo ao redor).Modelos mentais são baseados em fatos incompletos, experiências passadas e até mesmo percepções intuitivas. Eles ajudam a moldar ações e comportamentos, influenciam o que será considerado mais relevante em situações complexas de definem como indivíduos confrontam e resolvem problemas.”
    Como se estivesse neste artigo :
    http://blogs.ethz.ch/wp-content/blogs.dir/1362/files/2012/07/1986-Carey-11.pdf
    Lógico que não está. Ou estou vendo errado ?
    Embora seja uma ótima explicação fica sem fundamento :o(

    Responder

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