O que um jantar em família me ensinou sobre projetos centrados no usuário

Sábado a noite, jantar em família e amigos. Em algum momento, a conversa vai parar em vídeos engraçados que rolam nos emails corporativos da vida. O foco acabou em vídeos com crianças, que agradavam a grande parte da mesa.

imagem de uma família jantando

Família meramente ilustrativa. Nós comemos risotto.

 

Eu e meu irmão decidimos então pegar o iPad e mostrar mais vídeos nessa linha. Passamos vários, e todos agradaram: “infarto do coração“, “que dó, que dó”, “2 bebês conversando” etc. Decidimos então arriscar um pouco: saímos dos vídeos brasileiros e mostramos os famosos “Is this real life?” e “Charlie bit my finger”, clássicos da cinematografia youtubeiana infantil.

Sucesso! Todo mundo, mesmo não entendendo muito bem inglês, curtiu. Afinal, ainda eram crianças fazendo coisas fofas. Mas chegamos num impasse: não conhecíamos mais vídeos infantis. Resolvemos, então, arriscar um pouco mais: como bons usuários da Internet, o meme do “Sou foda” já era passado pra nós, mas com certeza pra grande maioria da mesa (pais, tios e primos mais velhos) ainda seria novidade. E como não apreciar o kitsch pornográfico desse vídeo? A nossa “audiência” já tinha citado o vídeo do Toba de qualquer maneira…

E foi aí que nós erramos e acabamos com a magia da mesa reunida em torno da tela de um iPad. Vitinho foi um desastre. As expressões das pessoas iam de confusão a desinteresse, passando por “wtf?”. Depois desse vídeo, o assunto meio que morreu e saímos da mesa.

Então, o que eu aprendi nesse mega #fail familiar?

1 Entenda sua audiência

Acho que essa é a tecla que mais merece ser batida. Conheça sua audiência, seu usuário, seu cliente, porque é ele que vai dar todas as dicas de como ter sucesso e mantê-lo. Isso não significa dar a eles apenas o que eles acham que precisam – na maioria das vezes eles estão bem equivocados quanto a isso. Essa é a hora de usar todos os recursos a nossa disposição – psicologia, economia comportamental, ciência da conversão, design, sociologia, etnografia, testes com usuários etc – o que couber no seu projeto e no seu bolso. Só não dá pra cair na falácia Louis XVI e declarar: “o usuário sou eu”. Porque não é mesmo.

2 Arrisque…

Quando mostramos os vídeos em inglês, havia a possibilidade de perdermos a nossa audiência, afinal, nem todos iriam entender a língua. Mas como estavámos falando de vídeos com crianças, a aposta não era tão alta assim, e conseguimos manter as pessoas engajadas.
Se você já conhece seus usuários há algum tempo e pôde observar seus hábitos de uso, arriscar e apresentar algo que saia um pouquinho da zona de conforto deles pode ser bom. Dessa forma, você mantém o interesse dos usuários e explora novos caminhos de evolução do seu produto.

3 …mas não arrisque demais.

Nós ficamos arrogantes. O vídeo do “Sou Foda” ia contra tudo que já tinha sido apresentado antes, e nós devíamos ter percebido isso. Mas resolvemos arriscar um pouco mais, muito cedo, e fomos punidos por isso. Não se engane: uma aposta alta e audaciosa geralmente é fruto de observação (no mínimo – identificação de uma necessidade) e pesquisa (no máximo – explorar como resolver essa necessidade) antes de seu lançamento (Google+, anyone?). Isso não é garantia de sucesso, claro, mas também não são tiros no escuro. As melhores histórias apenas parecem golpes de sorte/inspiração. A verdade por trás é muito trabalho duro.

Felizmente, a única coisa perdida nessa história foi o clima da mesa de jantar, mas isso também pode ter sido culpa do  vinho que acabou  ;)

Foto por Jess J via Flickr.

7 ideias sobre “O que um jantar em família me ensinou sobre projetos centrados no usuário

  1. Pri Muniz

    Adorei o post, Anna! Em todos os universos, não (re) conhecer a nossa audiência é sempre o pecado capital mais cometido. E, ás vezes, cometido de pé junto jurando razão absoluta.

    Responder
  2. Pri Muniz

    Adorei o post, Anna! Em todos os universos, não (re) conhecer a nossa audiência é sempre o pecado capital mais cometido. E, ás vezes, cometido de pé junto jurando razão absoluta.

    Responder
    1. Anônimo

      Não é, Pri? É a nossa luta diária, mostrar pro cliente que nem sempre ele está 100% certo sobre o cliente dele…

      Responder
  3. Bravo

    O texto é legal, porém, continuem você e seu irmão a fazer todo tipo de estripulia nas refeições em família. Deixem o foco no usuário para o trampo. No resto é FREESTYLE!

    Responder
  4. Fabiaraquel

    Excelente. Não sei do que eu gostei mais: se foi a analogia de uma interação familiar X análise de usuários ou se foi ver um jantar (da minha família e dos meus amigos) servindo como laboratório de aprendizado.

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>