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Compartilhando nas redes sociais: com atrito ou sem atrito?

As mudanças recentes no Open Graph do Facebook, junto com a introdução anterior do ticker, trouxeram uma discussão bem interessante sobre o compartilhamento de atividades na rede social. Agora, a permissão dada a alguns aplicativos significa que tudo que lermos, ouvirmos ou assistirmos através dele será publicado. Essa facilidade seria uma benção ou uma maldição?

Exemplo do Spotify no ticker

 

Na física, atrito é o que acontece na interação de um corpo com outro em presença da gravidade. Como dizia um professor meu, nós só estamos aqui por causa do atrito, que permite a existência de carros, mas também provoca aquele barulho irritante de unha no quadro negro.

 Mas o que seria “atrito” em uma interação na web?

Para mim, tem a ver com a dificuldade de realizar uma ação em um site. Essa dificuldade pode existir intencionalmente, por segurança ou limitações técnicas, ou por acidente, como em projetos mal planejados e não testados.

Em alguns casos, o atrito trabalha a favor do usuário. É um passo de segurança importante confirmar sua identidade no Internet Banking, através de uma senha, por exemplo. Em outros, pode ser tão irritante que faz com que ele desista de realizar a tarefa.

Compartilhando sem atrito: curtir ou não curtir?

Para alguns, a diminuição do atrito foi positiva: o Spotify, um dos beta testers do novo Open Graph, ganhou mais um milhão de usuários após o anúncio da integração na f8, a conferência de desenvolvimento do Facebook, mesmo com as críticas à necessidade de ter uma conta na rede social para usar o serviço.

Já pesquisadores do Microsoft Research acreditam que a remoção do atrito pode banalizar o ato do compartilhamento, afinal, o usuário não escolhe mais intencionalmente o que compartilha. Isso traz também conseqüências importantes para a privacidade: sem a ação de compartilhar, podemos esquecer que tudo está sendo enviado para o stream e correr o risco de mostrar para o mundo que curtimos um tecnobrega no meio da tarde.

Em tempos de dieta de informação, “abrir a porteira”  das nossas atividades seria o equivalente a ir num rodízio de pizzas todos os dias? Ou mais oportunidades de criarmos conexões e encontrarmos semelhanças e diferenças entre os nossos contatos?

 

Nota: tive que procurar uma imagem do ticker porque o Facebook simplesmente não liberou pra mim. Fonte: Socialsafe.net

 

Affordances, os passageiros e o ponto de ônibus: uma história real

Essa coisa de trabalhar com experiência do usuário acaba fazendo você perceber mais o ambiente a sua volta. Da curiosidade de saber o que a pessoa ao lado está vendo no celular até o caminho que as pessoas fazem dentro do shopping, quem se interessa por pessoas nunca fica entediado. Pois bem, o ponto de ônibus que eu uso para voltar pra casa no fim do dia passou por algumas mudanças ultimamente, por causa de um conjunto de prédios de escritório que está sendo construído em frente a ele. Basicamente, ele mudou de lugar três vezes nos últimos dois meses, o que causou um comportamento bem curioso das pessoas que esperam pelos ônibus.

 

Esquema que indica os locais do ponto de ônibus

Informação escrita + desenho = compreensão win! (clique que aumenta)

 

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